sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

10ª EXPEDIÇÃO A CORDILHEIRA DOS ANDES (4 de 5 partes) - MENDOZA - ARGENTINA

Esse é o diário de viagem da minha 10ª Expedição a Cordilheira dos Andes na Argentina, na província de Mendoza, na data de 09 de janeiro de 2017 a 24 de janeiro de 2017. 
Foi uma expedição exploratória, onde, poderia não ter trilha ou sinalizações de qual o caminho melhor a ser seguido, com diversas dificuldades. Poderia ter surpresas que no google earth ou nas pesquisas na internet não revelam ou poucas pessoas ali estiveram para relatarem detalhes do terreno, clima, etc.
Reservo-me o direito de não transcrever partes onde aparecem nomes ou fatos que poderiam interferir diretamente na vida de pessoas constantes ou não nessa aventura. Ainda, tentarei reproduzir acertando abreviações e fazendo algumas adequações gramaticais para a melhor leitura e interpretação do leitor, bem como explicações atuais entre colchetes [].


Esta é a quarta parte!
Lembro que a primeira parte está em:  http://thomaschulze.blogspot.com.br/2017/02/10-expedicao-cordilheira-dos-andes.html
Boa leitura!

ATENÇÃO:
Devido a inúmeras tarefas e a realização da 11ª Expedição a qual voltei a alguns dias...(hoje 19 de janeiro de 2018) Deixo aqui, inicialmente algumas imagens.







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As imagens acima foram fotografadas no dia anterior.
...



Eu tinha caminhado muito. Eu sai da trilha e nem tinha percebido. Alguns locais existem uns desmoronamentos e a trilha fica invisível. Foi nesse ponto que desviei-me da trilha sem saber.
"Vou até aquele ombro" pensei. E me fui morro acima. 








Fui desviando de pedras, escorregando no terreno solto e fofo. 
















Estava tudo bem, até que eu vi uma pedras enormes lá, encima, na minha frente. E se elas cairem? Como eu poderei escapar? Quantos segundos terei?









Outra:


Quando se está sozinho a responsabilidade por sua vida recai somente a si. Cem por cento sobre si. Quando estás em grupo, até pode se pensar que outra pessoa poderia ter feito isto ou aquilo. 
Estratégia! Montei uma estratégia. Caminhar devagar, ouvir qualquer ruido...
Esse "canal" era perigoso porém o mais acessivel para  chegar onde eu queria.
Depois de algumas horas eu estava cansado. Sentei, abri a mochila e verifiquei o que tinha.  Tinha comida e água. Mas... Somente para o retorno. Olhei para cima e para baixo. Foi uma boa caminhada!




Cheguei onde queria? Não! E daí? Exceto alguns objetivos específicos... O objetivo maior é o contato com esse tipo de natureza. 




Incrível! Encontrei agua brotando do chão. Deitei-me. Bebi direto. Agua excelente. Tratei de pegar um pouco, coar e tratar quimicamente. Voltei mais feliz ainda para a Ruinas de los Mineradores.














Algumas imagens:

    Entardecer (o sol ainda ilumina o lado oeste de umas montanhas altas, fazendo com que o vale continue iluminado mesmo depois da 21 horas).














   Dependendo da época é possivel avistar muitas estrelas. Aqui não foi possivel registrar com precisão.

















A porta que também é a janela e a varanda dá uma sensação muito boa.















Interior do abrigo:














Uma espiriteira modificada de uma outra encontrada em vídeo de youtube. Eu lembro das primeiras espiriteiras... Aquela chama pacata, tímida, mas essa... Parece um lança chamas!
































No dia seguinte, acomodei tudo dentro da mochila. Coloquei o saco de dormir por fora e desci para a vila Las Cuevas. 











Tive que parar em áreas de acampamentos que fiquei para recolher o lixo e dejetos, inclusive minha barraca que tinha deixado no acampamento 2. 














Em 8 horas e 40 minutos, cheguei a vila. Cheguei desidratado, mesmo consumindo cerca de 5 litros de água e isotônico.

Fim dessa parte.
Obrigado pela atenção!



quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

10ª EXPEDIÇÃO A CORDILHEIRA DOS ANDES (3 de 5 partes) - MENDOZA - ARGENTINA

Esse é o diário de viagem da minha 10ª Expedição a Cordilheira dos Andes na Argentina, na província de Mendoza, na data de 09 de janeiro de 2017 a 24 de janeiro de 2017. 
Foi uma expedição exploratória, onde, poderia não ter trilha ou sinalizações de qual o caminho melhor a ser seguido, com diversas dificuldades. Poderia ter surpresas que no google earth ou nas pesquisas na internet não revelam ou poucas pessoas ali estiveram para relatarem detalhes do terreno, clima, etc.
Reservo-me o direito de não transcrever partes onde aparecem nomes ou fatos que poderiam interferir diretamente na vida de pessoas constantes ou não nessa aventura. Ainda, tentarei reproduzir acertando abreviações e fazendo algumas adequações gramaticais para a melhor leitura e interpretação do leitor, bem como explicações atuais entre colchetes [].


Esta é a terceira parte!
Lembro que a primeira parte está em:  http://thomaschulze.blogspot.com.br/2017/02/10-expedicao-cordilheira-dos-andes.html
Boa leitura!

ATENÇÃO:
Devido a inúmeras tarefas e a realização da 11ª Expedição a qual voltei a alguns dias...(hoje 18 de janeiro de 2018) Deixo aqui, inicialmente algumas imagens.

Eu tinha dormido nas ruínas sem a barraca. No outro dia resolvi colocar uma mochila com equipamentos e alimentação mais para frente e voltar para esse acampamento. Nesta noite dormi dentro do abrigo.

Abaixo um "giro" de 360 graus ao redor do acampamento "Ruínas dos Mineradores"














































A caminho do próximo acampamento.


Uma foto do acampamento... Ao fundo e a direita o cerro Pan de Azucar.





















No outro dia sai para fazer uma caminhada e ver se chegava ao cajon del Rubio. Porém subi um barranco que o solo estava instável e tive, por segurança, desistir da subida.
Imagem abaixo, uma curiosa formação rochosa que parece sair quatro dedos do chão.













O rio vindo dos cerros Pan de Azucar e o cerro Horcones. E, mesmo com o amanhecer quente, havia gelo nas beiradas dos riachinhos.
















A caminho do fundo do vale: 













Aqui na imagem não parece, mas era bem inclinado com inúmeras pedras soltas dos mais diversos tamanhos. Eu seguia dentro de um vale de erosão, na minha esquerda uma laca de gelo e na minha direita pó de pedra farelenta e escorregadia.




Segue...

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Trekking 3 dias Parque Aconcágua - Acompanhe a Organização Sugestões Conselhos

Olá a todos! 

Neste arquivo vocês encontrarão os equipamentos e roupas a serem levados nesta aventura, bem como alternativas mais cômodas financeiramente.

PARTE 1

Para efeito de mobilidade e conforto termos uma limitação de volume e peso de bagagem. Como essa expedição é para baixa altitude e poucos dias, teremos um limite de 70 litros e 25 kg para cada pessoa. Será fornecido duas bolsas padrão para acomodar de forma organizada no porta malas do veículo. Cada bolsa terá a capacidade aproximada de 30 litros. Os bastões irão no fundo com os isolantes térmicos desenrolados. Os sacos de dormir irão “preenchendo espaços vazios”. É possível tem uma pequena mochila (15 a 20 litros) consigo (compartimento dos passageiros), para poder guardar o anoraque e outros itens mais “à mão”.

Começarei com as vestimentas usuais. Na cidade de Caxias do Sul, a temperatura é amena, o esperado é +15°C a mínima e 25°C a máxima com pouco vento. Nesta época e poderemos usar uma camiseta com uma jaqueta leve ou blusa. A parca ou anoraque pode ser levada consigo caso chova no caminho. A calça poderá ser de tecido leve (poderá ser aquela usada na expedição ou uma extra, já pensando na economia de volume e itens a serem levados). Meias e tênis (o tênis poderia ser aquele a ser usado em montanha, um tênis mais robusto).

Gosto de começar pelos pés.

As meias a serem trocadas durante a viagem dependerá do seu pé. Recomendo 1 para cada dois dias no mínimo para meias comuns e 2 meias finas e 2 grossas para o parque. Não termos como lavar esse item. Para a expedição (dentro do parque) o reuso das meias fará com que não tenhamos “peso” extra. A combinação de meias finas com grossas irão ajudar na regulação da temperatura e aumento de conforto evitando o surgimento de bolhas.

“Cobre meias”. Desde 2006 tenho usado um item que é um saco de nylon ou poliéster com formato de meia que coloco encima da última meia. É um reforço térmico, quando não tenho ou não acho necessário usar uma bota mais pesada. Nessa Altitude do Acampamento Confluencia, a temperatura durante o dia com sol direto varia de +15 a +20°C. À noite poderemos esperar +5°C a -5°C. A umidade do ar é baixa.

Para evitar o suor excessivo, tenho uma técnica que será repassada no seu e-mail ou facebook.

Os calçados poderão ser um tênis mais robusto ou uma bota leve. O solo é farelo de rocha com algumas rochas pequenas na trilha. Algumas grandes ao longo do caminho.

Chinelos ou sandálias sintéticas. Eu uso pouco porém chinelos de "borracha" sempre levo. Mais para tomar banho de chuveiro e andar por refúgios e albergues.

Bermudas e similares. Na cidade de Mendoza, geralmente, é muito quente. Entorno de +30°C. Camisetas do tipo “dry” e bermudas ou calças leves serão bem vindos.

PARTE 2

Camisetas, jaquetas de feece ou similar, anoraque.




quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

10ª EXPEDIÇÃO A CORDILHEIRA DOS ANDES (2 de 5 partes) - MENDOZA - ARGENTINA

Esse é o diário de viagem da minha 10ª Expedição a Cordilheira dos Andes na Argentina, na província de Mendoza, na data de 09 de janeiro de 2017 a 24 de janeiro de 2017. 
Foi uma expedição exploratória, onde, poderia não ter trilha ou sinalizações de qual o caminho melhor a ser seguido, com diversas dificuldades. Poderia ter surpresas que no google earth ou nas pesquisas na internet não revelam ou poucas pessoas ali estiveram para relatarem detalhes do terreno, clima, etc.
Reservo-me o direito de não transcrever partes onde aparecem nomes ou fatos que poderiam interferir diretamente na vida de pessoas constantes ou não nessa aventura. Ainda, tentarei reproduzir acertando abreviações e fazendo algumas adequações gramaticais para a melhor leitura e interpretação do leitor, bem como explicações atuais entre colchetes [].


Esta é a segunda parte!
Lembro que a primeira parte está em:  http://thomaschulze.blogspot.com.br/2017/02/10-expedicao-cordilheira-dos-andes.html
Boa leitura!

Continuação do dia 11-01-2017, quarta feira.
   15h20min. Verificações! Glicose: 95 mg/dl, normal, mas me sinto fraco. Saturação de oxigênio:  94, com 82 batimentos por minuto. Primeira coisa a fazer: um isotônico reforçado. 6 porções multi grande [multi vitamínico e sais minerais, espécie de shake].
   21h55min. Ainda arrumo coisas. Alimentação está toda classificada. Primeiros socorros, idem. Daqui a 10 minutos vou para o banho [chuveiro] e amanhã serão às 6h com saída às 8h.

























12-01-17 [quinta feira - Saída do refúgio em direção ao acampamento 2, porém parei antes]
   Acordei de madrugada para urinar. Eram umas 4 horas. Acordei novamente as 5h e não consegui dormir. As 6h e fiz numero um claro [urina, de cor clara] e numero dois [eliminação de fezes]. Últimos preparativos. Peso... Medi mas não marquei. Uns 20 kg para as costas e 6 e 10 para as bolsas frontais. 36kg achei aceitável. 7 kg são de alimentação e combustível (presumido).
   8h20min. Estão 15 graus Celsius lá fora.
   Imagem da ponte.
























Imagem dando a volta na montanha.

   10h45min. Estou embaixo do nariz “Del Caballo”. Parei para adequar a barrigueira [parte da mochila ou cinto que prende ela no corpo na cintura, quadril ou barriga]. Lanchar.
   12h22min. Estou com a carga na minha volta. Parei para descansar... Quanto? Não sei. Mastigo uns biscoitos. Vem uma mosca grande me incomodar. Parece uma “mutuca” com olhos enormes. O cerro Santa Elena está na minha frente. Lá... Lá encima... A minha direita, uns 45° tem o pedágio. Avisto um mochileiro. 


Exceto essa mosca, está tudo tranqüilo. Ruídos de motores a diesel, os “clec, clec” dos pneus nas emendas da pista de concreto. 
Penso em deixar algumas coisas no A-4 [4º acampamento. A ordem era ser o acampamento 1 nas ruínas]. Talvez a barraca. Eu tenho um saco para bivaque.
   12h42min. Eu uso a garrafa plástica como travesseiro. Pena que aqui não tem água. Eu poderia passar a noite. Vans sobem para o Cristo [ponto turístico que fica a 3.800 metros de altitude, fronteira com o Chile, no Paso de los Libertadores, antigo, porém usável passagem de veículos leves e pessoas para o outro país].

   O Cristo. Já vi disso. Aí o cara desce da van. E tem um vento que lhe arranca o chapéu. Mas o vento com areia te cega. Sim. É um lugar muito bonito se souber usufruir. [eu gostei. Fiquei 14 dias ali em fevereiro de 2006...] Em Mendoza deve estar uns 30 graus Celsius, no Cristo uns 15 a 20 graus Celsius.
   13h45min. Acho que vou indo devarinho, com saída as 13horas, aproximadamente. Como é bom essa papinhas de crianças, não vejo a hora da próxima parada longa... [uma parte da alimentação era aqueles mingaus de criança de 1 ano aproximadamente, pela fácil digestão e cheio de micro nutrientes].  Só uma coisa: manter o foco, não tropeçar, essas coisas. As 13h45min, eu encontrei um córrego. Tomei o restante, 200 ml, de uma garrafa e me deu vontade de urinar. Urina amarelada. Logo vou parar para beber. [beber mais quantidade]. Se não daqui a pouco = dor de cabeça. Medi o vento. Vento de 17 km/h com rajada de 31km/h.
   14h 33min, agora. Pego a mochila de ataque e vou para a cargueira. Na minha frente o túnel. Na verdade aquelas casinhas. [umas construções retangulares de concreto que fica do lado oeste do rio].

Abaixo, a caminho do acampamento, olhando para norte.



 Avisto o cerro Matienzo.


   14h 45min. Tomo um Shake com 400ml de água e 3 biscoitos. Descanso um pouco. Ainda tem uma mosca. Acho que é pela calça de cor preta.
   19h 30min. Não sei ao certo [não sei o certo o horário], devo ter chegado perto do meu limite. Montei a barraca e me joguei dentro. Procurei um carboidrato gel e consumi com água, 200 ml. Fiquei um pouco melhor. Água? Só a barrenta do rio. Usei filtro de café, pouco adiantou. Tratei-a. Agora está decantando até amanhã. Janta: alho e cebola frita no óleo da sardinha [sardinha em lata] mais água, enriquecido com farelo de biscoito salgado e, é claro, as sardinhas. Umas horas atrás, eu percebi algo errado quando não conseguia uma multiplicação simples. Por cima deu 800 kcal por hora. Não consigo me lembrar da hora de saída. Parecia ser 9 horas. Até as 18h. Mais ou menos 9 horas. De 5.400 a 7.000 kcal. Não sei. Estou com vontade de dormir somente com o liner e o saco de bivaque. [o liner é no formato do saco de dormir, mas somente o tecido, nylon ou poliéster. O meu tem duas camadas. O de fora é de nylon liso e o de dentro é de fio penteado, macio ao toque]. Dentro da barraca, o saco de dormir está perfeitamente acomodado dentro da mochila. Terminei a janta com chá de guaco. Usei uns 50 ml de álcool anidro. Achei forte. Estou poupando as baterias. Vou ter que reorganizar as coisas. Quanto de temperatura dará aqui? Deve ser uns +10º C.
   20h 32min. +18ºC. Aqui, qualquer coisa é travesseiro! Roupas extras e um rolo de ph [papel higiênico]. Minha lanterna de cabeça está acendendo sozinha. É a terceira vez. Dentro da bagagem, dentro do saco de transporte e dentro do bolso. Tirar as pilhas? Só que tem uma vedação especial... Se eu tirar... Penso no cronograma.
   20h 43min. Pensei no cronograma. Farei por etapas. Primeiro até o pé do portezuelo [Del norte]. Se estiver ruim, deixarei a barraca e outras coisas que não sei. Vou tentar dormir. Tem um barulho constante... Do rio Cuevas? [Sim!].
   Fui dormir as 21 horas.

13-01-2017 [Sexta feira]
   Acordei a uma e meia e, não consegui mais dormir. Às seis horas dormi, mas acordei as sete. Agora são 07h 18min. Urinei amarelo claro. A cebola está saindo meio gasoso. De madrugada chegou a +10ºC e de calça de caminhada, camiseta manga longa, colete [térmico, de fibra de poliéster], gorro [também de meias], com o liner e o saco de bivaque, foi confortável. Usei a parca. Todo vestido daria para agüentar +10ºC. Bebi água decantada. Não vai dar para agüentar o gosto!
   07h 25min. Que fome! Faço imagens de quebrada (vale) de Matienzo.



   07h 48min. Uns minutos atrás estava +6ºC lá fora. Tomei 300 ml de “vitamina” de cereais com alguns biscoitos de ontem.  O sol ilumina as pontas das montanhas a oeste. Previsão de saída as nove horas. Aqui ....m de altitude. Um saco de dormir com conforto de 0º a 5º positivos estaria bom. Previsão de percurso 12 horas. De 12 a 15 km. Previsão de chegada ao portezuelo: hoje mais dois dias. Quarenta a cinqüenta quilômetros do objetivo ou metade do percurso de aproximadamente 2.550 km [total de minha casa ao cerro Zumbringgen].
   08h 15min. Medi minha oxigenação. O aparelho tem um gráfico e este estava descompassado. Usei meu estetoscópio e percebi algumas alterações. Pode ser pela escassez de glicogênio [momentâneo], como o frio da noite. Mas vou monitorar. Tenho medicação para o coração [esse deveria ser tomado somente em caso de infarte]. O transporte será por meio de “porteo” (espanhol). Levo um volume a 100 passos [duplos] que devem ser uns 140 a 150 metros e largo [no chão]. Volto e pego o outro, trago para esse ponto e levo para frente deste ponto, uns 150 metros. Volto, pego o anterior e largo a frente desse, e assim por diante. Isso tudo para não sobrecarregar a musculatura, conseqüentemente a pressão sanguínea (e supostamente o coração).
   16h 24min. [Em um córrego peguei uma água]. Atravessei o rio do cerro Pedro Zani, três vezes. Molhei as botas, meias e pés. Na última água... Que fiz uma filmagem... Encontrei três larvas em um litro e meio de água. Joguei fora. 

Mais uma pegada [mais uma vez colhendo água na garrafa] 2 larvas. Contava com aquela água! A Natureza que me perdoe, mas preciso fazer um filtro de água urgente! Encontrei umas raízes no caminho, meio queimadas, em um círculo de pedras. [Lá no riacho, usei minha camiseta como filtro mecânico. Verifiquei a água e não tinha larvas. Usei o álcool para queimar a raiz e fazer carvão. Moí esse carvão e coloquei no meu filtro para café. Então que a água passou por esse processo, coloquei o produto químico.]
   20h 15min. Consegui me hidratar. Sopa de cebola com biscoito. Agora está cerca de +12ºC. Parece quente. Estou bivacando de verdade. Aguardo a sopa esfriar. Parei às 19h 30min, aproximadamente. Saturação de oxigênio 90 com 92 bpm [batimentos por minuto]. Gráfico... Ok! Devo ter saído as nove horas e cinqüenta minutos. Devo ter feito os 10 km que eu queria. Tentei levar toda a carga, mas doeu um rim. Voltei para o porteo.

     Revisando... [a revisão dos dias não será transcrita pois resultou em confusão na leitura].

14-01-2017 [acordei no acampamento depois do zanni.]
   08h 00min. Faz 6ºC. Estou ao ar livre. Está muito frio para escrever. Noite complicada. Mexi-me [dormindo] e o zíper do saco de dormir abriu e eu não consegui fechá-lo. Coloquei o liner e o colete na fresta.  Fazia +10ºC. Condensou um pouco a umidade da respiração dentro do saco de bivaque. Na próxima em de Goretex [de Goretex ou similar, é um tecido transpirável para os vapores de água e impermeável para a chuva]. Não consigo escrever, os dedos estão levemente amortecidos [frio]. Urinei amarelo claro. Bebi suco de limão sem corante.
   Tive três períodos de sono. Em um deles sonhei que havia tropeçado nas minhas coisas. Tentei gritar, mas a voz não saía. Mais tarde, no sonho, apareceu um casal. Eles estavam aclimatando para ir ao acampamento base do Everest [montanha] que coisa... “Porque você está aqui fora?” Perguntaram-me. “Porque você não vai para a casa?” Casa? Que casa? [eu indaguei – no sonho] Uns 100 metros para cima! Fui dormir lá, mas quando acordei estava fora da casa perto de uns trilhos de trem. Um pequeno trem passou por cima da ponta do saco de bivaque. Tentei puxar desesperadamente. Parecia real. Acordei. Passei alguns segundos de confusão mental. Agora +4ºC, escrevo mais tarde.
   08h 30min. Não sei se dormi. Sei que estava quente. O termômetro marca +8ºC, mas o sol está de “rachar”. Preciso defecar hoje, pois ontem deu vontade.  Carrego sempre comigo sacola plástica e papel higiênico. Dormi com uma pedra na altura do joelho esquerdo. Espero não ter o lesionado. [Essa foi umas que não consegui tirar do chão.]
[A barraca, o pote das fezes e alimentação para a volta deixei neste acampamento, atrás de uma pedra grande e debaixo de uma pilha de pedras]   
   Alarme falso para numero dois! Continuo arrumando os materiais.  Alarme verdadeiro! Mas aonde? Atrás da pedra mesmo! Ufa! Meio quilograma a menos para carregar. Lavo as mãos com álcool.
  08h 45min. Fiz chá.
  11h 40min. 95% pronto! Apesar de ter tomado “café da manhã”, me sinto fraco. Arrumar a mochila cansa. Vou almoçar. Próxima prioridade é água, pois só tenho um litro de água. Lembrar dos runners.
[Quando eu arrumava os equipamentos, avistei uma pessoa. Ele estava com capacete de bicicleta, porém sem a mesma. Logo depois veio seu companheiro com a bicicleta. Eles estavam fazendo um trail até a laguna escondida. Não sei como nem aonde cruzaram o rio Cuevas. Ida e volta do vilarejo Las Cuevas. Quando eu estava voltando para pegar a segunda carga, eles estavam retornando. Percebi as calças colantes molhadas.]
  11h 49min. Depois de 300 kcal, me sinto bem melhor. Deverei sair às 12h 00min para “portear”. Deixarei a barraca, varetas, shit pot e lixos até então.

Imagens do caminho para o próximo acampamento. Na frente é oeste e a direita é norte.

  Imagens do caminho para o próximo acampamento, descansando ao lado de uma pedra. Na direita é leste e a esquerda mais ou menos noroeste.



   15h 25min. Minha primeira hemorragia nasal! [Ar seco e assuar muito o nariz dá nisso.] Em vez das mutucas irem para as gotas de sangue continuam me rondando. Estou a uns 300 metros de onde escalei o ano passado.

[Olhei para sul e reconheci uma montanha - Cerro Santa Elena - que subi por duas vezes, em fevereiro de 2.006, parando e, bem perto do cume, voltei pois estava tarde da primeira vez e na segunda por encontrar uma patrulha do Exercito Argentino onde o enfermeiro me convenceu a voltar. Distância aproximada: 10 km em linha reta.]


[Modificando o cardápio.]
 [Fiz uma parada mais longa para comer uma sopa, onde encontrei lenha. Após a refeição, organizei as madeiras, recolhendo e empilhando-as]


  [Encontrei um grupo de vacas. Bem próximo a trilha tinha um bezerro, muito irritado. Juntei umas 3 pedras no chão e coloquei no bolso. Iria usar isso em último caso. O apito estava sempre a mão. Acredito que apitando e gesticulando eu conseguiria espantar um animal desses.]
    20h 44min. [Caminhei bastante. Passei por umas paisagens que reconheci quando passei por aqui no ano de 2006, indo visitar o monumento do Tenente Benjamin Matienzo. Mas... Um grupo de cavalos espalhados não me deixou passar. Alguns mais centralizados e alguns nas extremidades “rosnavam” para mim.]

[Tive que desviar da trilha para a esquerda ou oeste. Subindo uma elevação onde encontrei um buraco e uma estrutura metálica.]
   Estou em uma elevação a oeste da trilha. Eu diria “terra de ninguém”. Achava que estava protegido por uma grande pedra mas o vento mudou. Faz +7ºC. Irei dormir com luvas. O desvio dos cavalas foi exaustivo. Não passei do “arranhado”. [Paisagem que parece um arranhado na montanha a leste deste ponto. Depois do “arranhado” encontra-se o monumento e as ruínas de um abrigo de mineradores]. Nuvens a 10 km [para sul] em cima do cerro santa Elena me assustam. Vou dormir até quando não for possível. Cavalos relincham. Saturação de O² 93, bpm cardíaco 93. Sinto-me como estivesse a 3.600 [na realidade 3.458m de altitude, aproximadamente]. Estou com uma cãibra no pescoço e na cintura lombar do lado direito. Impossível escrever!

15-01-2017 Domingo
   Meu sono foi em 4 etapas. Todas com sonhos. Temperatura mínima que consegui registrar foi de +6ºC. Passei um pouco de calor. Tive umas cãibras nas costas.
   08h 00min. Saí correndo para numero dois. Dei alguns passos apenas. Tudo ensacado. Urina amarela clara. Consumi 500ml de liquido.
   08h 30min. Faço uma assepsia nos pés. Passo uma pomada para micose, apesar de não ter indícios disso. Agora 75% organizado. Moscas vêm me visitar. Um pássaro também. A lua estava um holofote de noite e agora o sol desta de “cozinhar”. Dividi a comida na mochila cargueira. Vou fazer tiros de 60 minutos. Costurei um furo nas calças e mochila de ataque, um reforço apenas. Sem previsão para o horário de saída.
   13h 09min. Devo ter saído as 11h da manhã. Em 45 minutos, cheguei nas ruínas do mineradores. Inspecionei o local e visitei o monumento.

[Abaixo as ruínas de um abrigo de mineradores, ande dormi na churrasqueira na primeira noite e no abrigo na segunda noite (depois de reforçar a estrutura com arame e outros itens metálicos).]



   Deve ter sido sofrido para o Benjamin... Tive vontade de chorar... Chorar = desidratação!
   Peguei tudo que dava para por água e saí para o norte. Nenhuma "vega" [agua que brota do chão, formando pequenos córregos], somente a água barrenta do rio Cuevas. 
[A água está na garrafa na esquerda da imagem com água marrom.]














[Rio Cuevas, onde peguei a água.]


Filtrei, bebi, horrível! Até acharem nome pior! Uns 300ml consegui beber. Espero a água decantar um pouco [os sólidos decantarem]. Em 15 minutos sairei para pegar a cargueira. Devido a desidratação devo ficar aqui fazendo água e me alimentar. 
Lembrei que passei por 2 guancos brabos de manhã.
   17h 21min. Estou totalmente instalado nas ruínas dos mineradores. Sim! Vou ficar duas noites aqui. Organizar os alimentos, descansar, hidratar e alimentar. 


[O pôr do sol é diferente. Como o sol se põe a oeste, ele projeta a sombra no acampamento. No entanto, as montanhas a leste ficam iluminadas por ele. veja abaixo:]



[Uma filmagem antes de dormir:]














[Entardecer quase completo:]













Fim dessa parte!